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Entrevistas

 

08/11/2009

 

Entrevista: Zezé Mota

 

Fonte: Redação

 

Maria José Motta de Oliveira, conhecida como Zezé Motta,
no mês da consciência negra, a atriz e cantora, é nossa
entrevistada. Zezé Motta é um dos ícones nacionais do movimento
negro e nesse mês compartilha conosco suas impressões sobre o
avanço do movimento no Brasil.

----------

Entrevista

----------

Diversidade Global – Zezé, poderia nos contar um pouco
da sua história, como começou sua carreira artística?

Zezé Motta: Minha carreira artística começou com o pé
direito em 1967, fiz curso no tablado com a Maria Claudia
Machado, fiquei sabendo de um teste e passei. Embora tenha
sido proibida 1 ano e meio depois, porque estávamos vivendo
em plena ditadura.

Diversidade Global – Em relação às questões raciais,
como você avalia a TV de hoje, e de quando você estreou em
1967?

Zezé Motta: Essa é uma pergunta inevitável todos me
perguntam o que mudou. A minha carreira tem 40 anos e a
militância tem 30 anos, por isso consigo avaliar bem esse
processo. As coisas mudaram a passos lentos, mas
a questão racial no Brasil está em um momento muito
interessante. Porque no início do movimento negro essa
discussão de racismo, de discriminação era uma discussão muito
fechada entre nós negros e quando abríamos essa discussão
éramos tachados de racistas. Éramos acusados de estar
importando um problema que não era nosso, mas dos americanos e
de estar instalando um racismo no Brasil.
Então eu vejo com bons olhos esse momento porque esse
assunto deixou de ser tabu.
Hoje é um assunto que já é discutido nos meios acadêmicos, já é
discutido entre os políticos, e tem até leis a serem votadas,
na verdade já temos uma lei aprovada há um tempo é lei CAÓ.
O Deputado CAÓ conseguiu que passasse uma lei, deve fazer uns
20 anos, na qual fica determinado que discriminação racial é
crime. A partir da aprovação dessa lei, basta que a vitima faça
queixa na delegacia para que a pessoa que cometeu a violência,
seja penalizada por isso. Felizmente eu sei de
alguns casos em que as pessoas realmente foram punidas.
Outro avanço que nós tivemos foi o fato de não ser mais uma
discussão só entre os negros, mas também entre os brancos de
vários segmentos.
Mais um avanço a ser citado, é o fato de que esse governo está
comprometido com a causa racial. Na verdade esse
comprometimento começou no governo Fernando Henrique e se
solidificou no governo Lula, quando eu digo que se solidificou
é porque temos um Ministério da Igualdade Racial em Brasília.
Uma discussão realizada a nível de Ministério primeiramente com
a Matilde Ribeiro e atualmente com o Edson Santos. Nós temos
duas representações no Rio de Janeiro, a Secretaria de
Assistência Social dos Direitos Humanos, cuja
Benedita da Silva é a secretaria e que me incumbiu de ser
Superintendente da Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro
E na prefeitura também tem um órgão que cuida da questão racial
cujo secretário é o Carlos Alberto Menezes também oriundo do
movimento racial. Por tudo isso eu digo que avançamos.

Eu senti também um avanço na mídia, a passos lentos, temos mais
atores negros e com papéis diversificados o que não
acontecia há alguns anos atrás.

Diversidade Global – Você é Superintendente da Igualdade
Racial no Rio de Janeiro, quais trabalhos têm sido feitos?

Zezé Motta: Temos muitas responsabilidades na
Superintendência da Igualdade Racial, porque nós tratamos da
questão do índio, do cigano, dos assentados, dos negros e dos
quilombolas.
Na questão dos negros conseguimos reativar o disque racismo.
Também temos visitado os quilombolas ouvindo quais são as suas
necessidades, que são muitas e temos feito relatórios e
enviado para nossa Secretaria de Diretos Humanos, enviamos
também para o ministro da igualdade racial e através deles
nosso presidente também toma conhecimento de todas as visitas
aos nossos quilombolas e dos problemas que temos. E são muitos
falta luz, saneamento básico e estamos preocupados com a
questão de recadastramento porque os quilombolas têm direito a
cesta básica e se não houver o cadastramento efetivo o
atendimento não é feito da forma como deveria ser. O grande
desafio é conseguirmos ainda no governo o máximo de quilombolas
com o documento de direito as suas terras. O documento oficial
de posse de suas terras. Um grande desafio, mas se Deus quiser
vamos conseguir.

Diversidade Global – Você tem dado diversas palestras em
grandes empresas, como avalia a responsabilidade do setor
privado frente as questões raciais?

Zezé Motta: A questão racial é tão importante que não
podemos dispensar apoio, participação e interesse de nenhum
setor da sociedade. A empresa privada é
muito importante nessa nossa luta, porque dentro da
empresa tem vários segmentos e dependendo da empresa ela pode
ter em sua maioria funcionários negros e que precisam estar
discutindo essas questões.

Diversidade Global – Nesse mês da consciência negra, que
mensagem você gostaria de deixar aos fãs que estão vendo essa
entrevista?

Zezé Motta: A mensagem seria: Perseverança!
Atitude! Seja o que for que esteja te incomodando arregace as
mangas e lute para virar esse jogo.

Também gostaria de comentar que antes de assumir o cargo da
superintendência
de igualdade racial o meu compromisso com essa luta foi como
fundadora e presidente de honra do Centro de Informação
e Documentação do Artista Negro (CIDAN) cujo objetivo é ampliar
o
espaço do mercado de trabalho para o artistas negros. É um
Projeto
que tem 22 anos e nós do CIDAN estamos muito felizes porque
não se faz teatro, cinema, televisão nem publicidade que
envolva
o artista negro sem que consulte a página do CIDAN na Internet
que é www.cidan.org.br lá se encontram aproximadamente
500 atores negros e mestiços disponíveis para o mercado de
trabalho

www.cidan.org.br

Gostaria de indicar também o Site da igualdade racial:

www.social.rj.gov.br/proj_i_racial.asp

   
 
 
     
     
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